Raphael Giovanini

16 de set de 2026 · Raphael Giovanini

As sete perguntas que eu faço para um fornecedor de IA antes de assinar

Quase toda decepção com fornecedor de IA foi decidida antes da assinatura, numa pergunta que ninguém fez. Sete perguntas que quem assina o orçamento pode fazer sem entender uma linha de código.

Fui CTO durante vinte anos. Nesse tempo comprei tecnologia, vendi tecnologia e limpei a sujeira de compras que outras pessoas fizeram. Hoje estou do lado de quem vende agentes de IA para atendimento e vendas, e continuo do lado de quem compra, como conselheiro e em advisory.

Os dois lados me ensinaram a mesma coisa: quase toda decepção com fornecedor de IA foi decidida antes da assinatura, em uma pergunta que ninguém fez.

Estas são as sete que eu faço.

1. O que acontece quando o modelo erra?

Não se. Quando. Todo modelo erra, inclusive o meu.

A resposta que interessa não é sobre precisão. É sobre o que a empresa construiu ao redor do erro. Existe uma regra que impede o agente de afirmar o que não está na base? Existe registro do que ele disse, recuperável em trinta segundos? Existe alguém avisado quando ele erra, ou a empresa só descobre pelo cliente reclamando?

Fornecedor que responde essa pergunta com a acurácia do modelo não entendeu a pergunta.

2. De quem é o dado, e onde ele fica?

Quem é o controlador. Onde os dados ficam armazenados. O que acontece com eles se o contrato acabar amanhã. Se conversa de cliente entra em treinamento de modelo, e como isso é desligado.

Isso não é burocracia jurídica. É a diferença entre poder trocar de fornecedor daqui a dois anos e ficar preso a ele porque todo o histórico de relacionamento com os seus clientes mora na casa dos outros.

3. Como eu desligo isso?

A pergunta mais reveladora da lista e a que menos se faz.

Se o agente começar a atrapalhar numa quinta-feira de pico, quanto tempo leva para tirar do ar sem derrubar o atendimento inteiro? Tem botão? Precisa abrir chamado? Precisa esperar alguém acordar?

Sistema que não tem plano de desligamento não tem plano de contingência. E quem já passou uma noite tentando reverter uma implantação sabe exatamente por que essa pergunta vem antes do preço.

4. O preço acompanha o quê?

Assento, conversa, mensagem, resolução, consumo de modelo. Cada modelo de cobrança premia um comportamento diferente.

Se o fornecedor cobra por mensagem, ele não tem incentivo nenhum para que o agente seja conciso. Se cobra por assento, não tem incentivo para automatizar. Se cobra por resolução, precisa existir uma definição clara e auditável do que conta como resolvido, senão a conta vira discussão todo mês.

Não existe modelo certo. Existe modelo alinhado com o resultado que você quer, e vale entender o incentivo antes de assinar.

5. Quem responde quando quebra?

Não o canal de suporte. A pessoa.

Qual é o tempo de resposta comprometido em contrato, o que acontece se não for cumprido, e quem é o nome que atende quando o problema é grande. Fornecedor pequeno com o fundador no telefone costuma resolver melhor que fornecedor grande com fila de chamado. Mas isso precisa estar claro antes, não descoberto na crise.

6. Como isso conversa com o que eu já tenho?

CRM, ERP, telefonia, base de produtos, sistema de estoque. Integração é onde o cronograma morre.

A pergunta útil não é se integra. É como. API documentada e estável, ou uma automação que alguém montou e que quebra quando o outro fornecedor atualiza a tela? Quem mantém isso? O que acontece quando o seu CRM lança uma versão nova?

7. Posso falar com um cliente que desistiu?

Referência feliz todo fornecedor tem.

O que ensina é o cliente que testou e parou. Por que parou, o que não funcionou, se foi problema do produto ou de expectativa. Fornecedor que topa essa conversa está confiante no que vende. Fornecedor que trava na pergunta acabou de te dar a informação que você precisava.

O que fica

Nenhuma dessas perguntas é técnica. Todas podem ser feitas por quem assina o orçamento sem entender uma linha de código.

Isso é proposital. A decisão de comprar IA não é uma decisão de tecnologia. É uma decisão sobre risco, dependência e reversibilidade, e essas três coisas cabem inteiras na cabeça de quem dirige o negócio.

Se o fornecedor responde as sete com clareza, você provavelmente está comprando bem, mesmo que o modelo dele não seja o mais avançado do mercado. Se ele desvia de três, o modelo mais avançado do mercado não vai te salvar.

Raphael Giovanini

Raphael Giovanini

Palestrante de IA e fundador da Tailor.ia. Me chamam de Mago porque resolvo o que a IA promete e não entrega. Vinte anos em tecnologia e mercado imobiliário.